Por Dr. Richard Portier
em 22 de fevereiro de 2026.
O tratamento salvará sua vida. Por isso, você deve começá-lo o mais breve possível. Atualmente, é recomendado para todas as pessoas vivendo com HIV e AIDS (PVHA), independentemente do tempo de infecção ou do estado de saúde. Com o tratamento, você pode ter:
Uma vida saudável: os medicamentos impedem que o vírus se multiplique, reduzindo a quantidade de HIV a zero no sangue. Isso permite que seu sistema imunológico permaneça forte e combata doenças e infecções.
Uma vida longa: graças ao tratamento, a maioria das PVHA tem uma expectativa de vida normal, semelhante à população geral.
Uma vida sexual saudável: o tratamento eficaz impede a transmissão por via sexual. Se você tomar seus medicamentos todos os dias e mantiver a carga viral indetectável, não transmitirá o vírus aos seus parceiros(as).
Uma vida ativa: o HIV não impedirá que você trabalhe, tenha relacionamentos, filhos ou faça planos.
Como explicado no artigo “O que é o HIV, a AIDS e o tratamento” (se você ainda não leu, leia), os medicamentos diminuem a quantidade de HIV no sangue (carga viral). O principal objetivo do tratamento é reduzir sua carga viral a níveis indetectáveis. Isso significa que a quantidade de vírus em uma amostra de sangue é tão baixa que não pode ser detectada.
Essa redução na quantidade de vírus permite que o sistema imunológico (avaliado pelo exame de contagem de células CD4) se fortaleça. Quanto maior a sua contagem de CD4, menor o risco de desenvolver doenças relacionadas ao HIV.
Quanto antes você iniciar os seus medicamentos, maior será o benefício. As diretrizes de tratamento, no Brasil e em outros países, recomendam que todas as pessoas vivendo com HIV iniciem o tratamento, independentemente da contagem de linfócitos CD4. Por isso, comece o quanto antes, mesmo se a infecção for recente.
O tratamento padrão inicial é uma combinação de três medicamentos diferentes, chamada de terapia antirretroviral. Os medicamentos pertencem a diferentes classes, sendo as principais: inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeo (ITRN), inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeo (ITRNN), inibidores da protease e inibidores da integrase.
No Brasil, o tratamento inicial consiste em: 1 comprimido de lamivudina/tenofovir desoproxila (ambos da classe dos ITRN e coformulados, ou seja, juntos no mesmo comprimido) e 1 comprimido de dolutegravir (da classe dos inibidores da integrase). Ou seja, você iniciará tomando dois comprimidos ao dia, sempre no mesmo horário.
No Brasil, o tratamento é disponibilizado pelo SUS e é 100% gratuito. Você receberá uma receita especial em sua consulta médica para conseguir retirar os antirretrovirais, independentemente de fazer o acompanhamento pela rede pública ou privada. Leve-a à farmácia especializada do seu município.
As retiradas são realizadas, no máximo, a cada 3 meses, salvo em situações especiais. Uma receita médica tem validade máxima de 6 meses, por isso você deve realizar sua consulta, no mínimo, a cada 6 meses. Por isso, sempre verifique se há medicamentos suficientes para durar até a próxima consulta. Se você acha que pode acabar antes disso, entre em contato com sua farmácia.
Para o tratamento funcionar, é fundamental que você tome os seus medicamentos conforme prescrito pelo seu médico todos os dias. Isso é chamado de “adesão” e significa tomar os medicamentos sempre no mesmo horário, na dose certa e seguir qualquer conselho dado pelo seu médico. A adesão é o fator central para o sucesso do tratamento.
Tomar de forma irregular pode significar que:
Os níveis dos seus medicamentos no sangue não estão altos o suficiente para impedir a multiplicação do HIV. Caso isso ocorra, seu vírus voltará a se multiplicar.
Sua carga viral aumentará e a contagem de células CD4 diminuirá. Essa situação eleva as chances de desenvolver doenças oportunistas e outras complicações relacionadas ao HIV.
O vírus desenvolverá resistência a um ou mais medicamentos utilizados por você. Isso significa que ficará forte contra esses medicamentos, voltando a se multiplicar. Resistência quer dizer que seu tratamento não está funcionando.
Sua carga viral aumentará a um nível em que você poderá transmitir o vírus ao(a) seu(sua) parceiro(a) sexual, caso não use preservativos nem PrEP.
Você precisará mudar os seus medicamentos. Esse novo tratamento é mais difícil de tomar do que a combinação que você usa, pois envolve mais comprimidos ou apresenta efeitos colaterais diferentes.
Eu gosto de falar sobre a adesão perfeita no Instagram. Ela significa:
Tomar todos os medicamentos que compõem seu tratamento na quantidade certa, conforme prescrito pelo seu médico.
Tomar seus medicamentos no horário certo, o mais próximo possível do mesmo horário, todos os dias.
Siga todas as orientações sobre alimentação. Alguns medicamentos devem ser tomados com alimentos, mas outros precisam do estômago vazio. Leia este artigo para saber mais.
Verificar interações com outros medicamentos, chás, suplementos e drogas.
Ir às consultas médicas, no mínimo, a cada 6 meses.
Fazer os exames de sangue no mínimo a cada 6 meses.
Você deve tomar todos os seus comprimidos no mesmo horário, todos os dias, conforme prescrito pelo seu médico. Com o tempo, isso se tornará um hábito.
Se você esquecer doses, aumenta a chance de que algo dê errado no seu tratamento. Em diversos estudos, associou-se esquecer doses a um aumento na carga viral, uma queda na contagem de células CD4 e um aumento no risco de resistência. Os melhores resultados do tratamento são observados em pessoas com a adesão perfeita.
Isso dependerá da circunstância. Na maioria das vezes, a opção mais segura é tomar a dose esquecida assim que você perceber e a próxima dose em seu horário normal. Caso você só perceba que perdeu uma dose no horário da próxima dose, tome apenas a dose normal. Nunca tome duplicado para compensar a dose esquecida. Conte o ocorrido para o seu médico na consulta.
Se você vomitar após tomar os comprimidos, geralmente não precisará de outra dose, pois os medicamentos já terão sido absorvidos. As exceções a isso são: se o vômito ocorrer menos de duas horas desde que você os tomou; ou se você ver os comprimidos, ou partes delas, no vômito.
Caso você esteja esquecendo regularmente as doses ou tomando-as muito tempo depois do horário correto, converse sobre isso com seu médico.
Aqui estão algumas dicas úteis:
Tome seus medicamentos no mesmo horário todos os dias.
Deixe um alarme no seu celular ou relógio para lembrá-lo. Isso é útil principalmente quando você estiver viajando.
Se você for viajar, planeje com antecedência. Leve o número de comprimidos necessários para o tempo que você estará ausente, além de uma metade extra para caso seus planos mudem. Por exemplo, se for ficar 20 dias, leve para 30 dias. Ao voar, carregue sua receita médica. Não os guarde na bagagem despachada. Se sua bagagem for perdida, você ficaria sem eles.
Use caixas plásticas de comprimidos para armazenar uma semana de tratamento.
Certifique-se de não ficar sem seus medicamentos e retire-os nas datas previstas.
Peça para outras pessoas te ajudem e apoiem. A família, parceiro(a) e amigos são importantes no tratamento.
Também é importante você pensar na sua saúde a longo prazo. Prevenir doenças crônicas, além de adotar outras mudanças no estilo de vida, como melhorar a alimentação e o sono, e praticar exercício físico, será fundamental para evitar o envelhecimento precoce.
Para verificar quais medicamentos, fitoterápicos, suplementos e substâncias podem interagir com os antirretrovirais, eu utilizo o site www.hiv-druginteractions.org, da University of Liverpool. A ótima novidade é que agora ele também está disponível em português! A tradução está sendo realizada pela Fundação Huésped.
A ferramenta classifica as interações por cores:
🔴 Vermelho: não coadministrar.
🟠 Laranja: interação potencial.
🟡 Amarelo: possível interação fraca.
🟢 Verde: não se espera interação.
Como interpretar:
Caso o alerta seja vermelho, nunca utilize a substância junto com os seus antirretrovirais. Se for laranja ou amarelo, converse com seu médico antes. Nesses casos, existe uma interação em potencial que pode exigir monitoramento, alteração na dose do medicamento ou mudança na forma de administração. Já se o alerta for verde, o uso está liberado, pois não há interação esperada.
Link direto da ferramenta: https://interacoeshiv.huesped.org.ar
Nenhuma informação desta página substitui a consulta médica. Nunca altere seu tratamento sem antes consultar um médico ou profissional de saúde. Apenas esse profissional poderá avaliar detalhadamente sua situação clínica e decidir se você está apto a essas mudanças. Portanto, para a sua segurança, o acompanhamento médico é imprescindível.
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