ARTIGOS

Psicofármacos e HIV: os principais medicamentos na saúde mental

Por Dr. Richard Portier

em 11 de abril de 2026.

Neste artigo, estão descritos os principais medicamentos utilizados no tratamento de transtornos depressivos, de ansiedade e do sono em pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA). Para cada substância, detalho a sua classe farmacológica, indicações comuns, vantagens e desvantagens, sintomas-alvo, efeitos colaterais mais frequentes e orientações de uso. O conteúdo tem como referência a 6ª edição do livro Fundamentos de Psicofarmacologia de Stahl.

Bupropiona

A bupropiona (Wellbutrin SR ou XL®) é um inibidor da recaptação e liberador de dopamina (IRLD). É comumente prescrita para transtorno depressivo maior, transtorno afetivo sazonal, adição a nicotina, depressão bipolar, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) e disfunção sexual.

Suas principais vantagens são: tratamento da depressão retardada; depressão atípica; depressão bipolar; em pessoas vivendo com HIV (PVHA) com disfunção sexual e ganho de peso. 

Suas principais desvantagens são: perda de peso associada a sua depressão; piora da ansiedade.

Tem como principais sintomas-alvo: o humor depressivo; distúrbio do sono, especialmente hipersônia; fissura associada à abstinência de nicotina; e funcionamento cognitivo.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: boca seca, constipação, náusea, perda de peso, anorexia, mialgia, insônia, tontura, dor de cabeça, agitação, ansiedade, tremor, dor abdominal, zumbido, sudorese, erupção cutânea e hipertensão.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Depressão: para bupropiona XL, dose inicial de 150 mg por dia pela manhã; pode ser aumentada para 300 mg 1 vez ao dia depois de 4 dias; dose única máxima de 450 mg 1 vez ao dia.
  • Adição à nicotina [para bupropiona SR]: dose inicial de 150 mg/dia 1 vez ao dia, aumentar para 150 mg/dia 2 vezes ao dia depois de no mínimo 3 dias; dose máxima de 300 mg/dia; o tratamento com bupropiona deve começar 1 a 2 semanas antes de ser descontinuado o tabagismo.
  • É prudente reduzir gradativamente para evitar efeitos de retirada, mas tolerância, dependência ou reações de retirada não estão bem documentadas.

Clonazepam

O clonazepam (Rivotril®) é um modulador alostérico positivo de GABA (MAP-GABA). É comumente prescrito para transtorno de pânico; síndrome de Lennox-Gastaut (variante do pequeno mal); convulsão acinética; convulsão mioclônica; convulsão com crise de ausência (pequeno mal); outros transtornos convulsivos; outros transtornos de ansiedade; mania aguda (adjunto); psicose aguda (adjunto); insônia; e catatonia.

Suas principais vantagens são: rápido início da ação; menos sedação e duração de ação mais longa do que outros benzodiazepínicos.

Suas principais desvantagens são: o desenvolvimento de tolerância pode requerer aumentos na dose; risco de abuso especialmente alto em abusadores de substância no passado ou no presente.

Tem como principais sintomas-alvo: ataques de pânico, ansiedade e insônia.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: sedação, fadiga, depressão, tontura, ataxia, fala mal articulada, fraqueza, esquecimento, confusão, hiperexcitabilidade, nervosismo, mania, hipersalivação, boca seca.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Pânico: 1 mg/dia; iniciar com 0,25 mg dividido em 2 doses, aumentar para 1 mg depois de 3 dias; dosar 2 vezes ao dia ou 1 vez na hora de dormir; dose máxima geralmente de 4 mg/dia.
  • Para transtornos de ansiedade: usar a dose efetiva mais baixa possível pelo período de tempo mais curto possível (uma estratégia de restrição de benzodiazepínicos).
  • Risco de dependência, em particular para períodos de tratamento mais longos do que 12 semanas e especialmente em pacientes com abuso passado ou atual de polissubstâncias.
  • Reduzir a dose gradualmente 0,25 mg a cada 3 dias para reduzir as chances de efeitos de abstinência.
  • Para casos difíceis de reduzir a dose gradualmente, considerar a redução com muito mais lentidão depois de atingir 1,5 mg/dia, talvez com apenas 0,125 mg ou menos por semana.

Desvenlafaxina

A desvenlafaxina (Pristiq®) é um inibidor da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN). É comumente prescrita para transtorno depressivo maior; sintomas vasomotores; fibromialgia; transtorno de ansiedade generalizada (TAG); transtorno de ansiedade social (fobia social); transtorno de pânico; transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

Suas principais vantagens são: tratamento da depressão retardada; depressão atípica; deprimidos com sintomas somáticos, fadiga e dor; deprimidos com sintomas vasomotores; quem não responde ou não apresenta remissão em tratamento com ISRSs.

Suas principais desvantagens são: PVHA sensíveis a náusea;  PVHA com hipertensão limítrofe ou descontrolada; PVHA com doença cardíaca.

Tem como principais sintomas-alvo: ataques de pânico e ansiedade.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: insônia, sedação, ansiedade, tontura, náusea, vômito, constipação, redução do apetite, disfunção sexual (ejaculação/orgasmo anormal, impotência), sudorese, SIADH, hiponatremia, aumento na pressão arterial.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Dose inicial de 50 mg 1 vez ao dia; dose máxima recomendada geralmente de 100 mg 1 vez ao dia; doses de até 400 mg 1 vez ao dia demonstraram ser eficazes, mas doses mais altas estão associadas a efeitos colaterais aumentados.
  • Reduzir a dose gradualmente para evitar efeitos de retirada (tontura, náusea, diarreia, sudorese, ansiedade, irritabilidade).
  • O esquema recomendado para reduzir a dose gradualmente é dar uma dose diária completa (50 mg) de modo menos frequente.
  • Se surgirem sintomas de retirada durante a descontinuação, aumentar a dose para interromper os sintomas e depois reiniciar a retirada muito mais lentamente.

Duloxetina

A duloxetina (Cymbalta®) é um inibidor da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN). É comumente prescrita para transtorno depressivo maior; dor neuropática periférica diabética; fibromialgia; transtorno de ansiedade generalizada, agudo e manutenção; dor musculoesquelética crônica; incontinência urinária por estresse; dor neuropática/dor crônica; e outros transtornos de ansiedade.

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) com sintomas físicos de depressão; depressão retardada; depressão atípica; ansiedade comórbida; deprimidos com sintomas somáticos, fadiga e dor; que não respondem ou não apresentam remissão em tratamento com ISRSs.

Suas principais desvantagens são: PVHA com transtornos urológicos; distúrbios prostáticos (p. ex., homens idosos); e sensíveis a náusea.

Tem como principais sintomas-alvo: humor deprimido; energia, motivação e interesse; distúrbio do sono; ansiedade; sintomas físicos; e dor.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: náusea, diarreia, redução do apetite, boca seca, constipação, insônia, sedação, tontura, disfunção sexual, sudorese, aumento da pressão arterial, retenção urinária.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Para depressão: dose inicial de 40 mg/dia em 2 doses; pode ser aumentada para 60 mg/dia em 1 a 2 doses, se necessário; dose máxima geralmente de 120 mg/dia.
  • Para dor neuropática e fibromialgia: dose inicial de 30 mg 1 vez ao dia; aumentar para 60 mg 1 vez ao dia depois de 1 semana; dose máxima geralmente de 60 mg/dia.
  • Para ansiedade generalizada: dose inicial de 60 mg 1 vez ao dia; dose máxima geralmente de 120 mg/dia.
  • Reduzir a dose gradualmente para evitar efeitos de retirada (tontura, náusea, vômitos, dor de cabeça, parestesias, irritabilidade).
  • Muitos toleram redução de 50% da dose por 3 dias, depois outra redução de 50% por 3 dias, depois descontinuação.

Eszoplicona

A eszoplicona (Prysma®) é um modulador alostérico positivo de GABA (MAP-GABA). É comumente prescrita para insônia; insônia primária; insônia crônica; insônia transitória; insônia secundária a condições psiquiátricas ou clínicas; e insônia residual após tratamento com antidepressivos.

Suas principais vantagens são: insônia primária; insônia crônica; PVHA que requer tratamento de longo prazo; com depressão cuja insônia não se resolve com tratamento com antidepressivo.

Suas principais desvantagens são: custo maior do que alguns outros hipnóticos sedativos.

Tem como principais sintomas-alvo: tempo para iniciar o sono; despertares noturnos e tempo de sono total.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: gosto desagradável na boca, sedação, tontura, amnésia dose-dependente, nervosismo, boca seca e cefaleia.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • 2 a 3 mg na hora de dormir.
  • Pode ocorrer insônia de rebote na primeira noite após a interrupção.
  • Se tomada por mais de algumas semanas, reduzir a dose gradualmente para diminuir as chances de efeitos de retirada.

Escitalopram

O escitalopram (Lexapro®) é um inibidor da recaptação de serotonina (IRS). É comumente prescrita para transtorno depressivo maior; transtorno de ansiedade generalizada (TAG); transtorno de pânico; transtorno obsessivo-compulsivo (TOC); transtorno de estresse pós-traumático (TEPT); transtorno de ansiedade social (fobia social); e transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) que tomam medicações concomitantes (poucas interações medicamentosas); que requerem início de ação mais rápido.

Suas principais desvantagens são: alto custo.

Tem como principais sintomas-alvo: humor deprimido; ansiedade; ataques de pânico, comportamento esquivo, reexperiência e hiperexcitação; distúrbio do sono, tanto insônia quanto hipersonia.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: disfunção sexual, diminuição do apetite, náusea, diarreia, constipação, boca seca, insônia, mas também sedação, agitação, tremor, cefaleia, tontura, sudorese.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Dose inicial: 10 mg/dia; aumentar para 20 mg/dia, se necessário; administração em dose única, pela manhã ou à noite.
  • Geralmente não é necessário reduzir a dose de maneira gradual.
  • Entretanto, em geral, é prudente reduzir a dose aos poucos para evitar possíveis reações de retirada.
  • Muitos toleram redução de 50% da dose por 3 dias, depois outra redução de 50% por 3 dias, depois descontinuação.

Mirtazapina

A mirtazapina (Remeron®) é um antagonista dos receptores de serotonina e norepinefrina (ARSN). É comumente prescrita para transtorno depressivo maior; transtorno de pânico; transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de estresse pós-traumático.

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) particularmente preocupadas com efeitos colaterais sexuais; com sintomas de ansiedade; com medicações concomitantes; como um agente de potencialização para reforçar a eficácia de outros antidepressivos.

Suas principais desvantagens são: PVHA particularmente preocupados com ganho de peso; com baixa energia.

Tem como principais sintomas-alvo: humor deprimido; distúrbio do sono; ansiedade.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: boca seca, constipação, aumento do apetite, ganho de peso, sedação, tontura, sonhos anormais, confusão, sintomas semelhantes a gripe, alteração na função urinária e hipotensão.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Dose inicial: 15 mg/dia à noite; aumentar a cada 1 a 2 semanas até que a eficácia desejada seja atingida; máximo geralmente de 45 mg/dia.
  • É prudente reduzir a dose gradualmente para evitar efeitos de retirada.

Ramelteon

O ramelteon (Rozerem®) é um agonista dos receptores de melatonina (ARM). É comumente prescrito para insônia (dificuldade com início do sono); insônia primária, insônia crônica; insônia transitória; insônia associada a trabalho em turnos, jet lag ou distúrbios no ritmo circadiano.

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) que requerem tratamento de longo prazo; que precisam de um hipnótico, mas que têm história de abuso de substância; possivelmente para distúrbios do ritmo circadiano.

Suas principais desvantagens são: custo maior do que alguns outros hipnóticos; PVHA que requerem sedação.

Tem como principais sintomas-alvo: tempo para início do sono.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: sedação, tontura, fadiga e cefaleia.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • 8 mg na hora de dormir.
  • Sem evidências de insônia de rebote na primeira noite após a interrupção.
  • Não há necessidade de reduzir gradualmente a dose.

Sertralina

A sertralina (Zoloft®) é um inibidor da recaptação de serotonina (IRS). É comumente prescrita para transtorno depressivo maior; transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM); transtorno de pânico; transtorno de estresse pós-traumático (TEPT); transtorno de ansiedade social (fobia social); transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno de ansiedade generalizada (TAG).

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) com depressão atípica (hipersônia, aumento do apetite);  com fadiga e baixa energia; que querem evitar hiperprolactinemia. 

Suas principais desvantagens são: início do tratamento em PVHA ansiosos com algum grau de insônia; com síndrome do intestino irritável.

Tem como principais sintomas-alvo: humor deprimido; ansiedade; distúrbio do sono, insônia e hipersônia (eventualmente pode causar insônia, sobretudo no curto prazo); e ataques de pânico, comportamento evitativo, reexperiência, hiperexcitação.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: disfunção sexual, diminuição do apetite, náusea, diarreia, constipação, boca seca, insônia, mas também sedação, agitação, tremores, cefaleia, tontura, transpiração.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Depressão e TOC: dose inicial de 50 mg/dia; em geral, esperar algumas semanas para avaliar os efeitos da substância antes de aumentar a dose, que pode ser aumentada 1 vez por semana; máximo geralmente de 200 mg/dia; dose única.
  • Pânico, TEPT e ansiedade social: dose inicial de 25 mg/dia; aumentar para 50 mg/dia depois de 1 semana; em geral, esperar algumas semanas para avaliar os efeitos da substância antes de aumentar a dose; máximo geralmente de 200 mg/dia; dose única.
  • TDPM: dose inicial de 50 mg/dia; pode ser dosada diariamente durante o ciclo menstrual ou ser limitada à fase lútea.
  • Muitos pacientes toleram redução de 50% da dose por 3 dias, depois outra redução de 50% por 3 dias, então descontinuação.

Trazodona

A trazodona (Donaren®) é um antagonista dos receptores de serotonina (ARM). É comumente prescrita para transtorno depressivo; insônia (primária e secundária) e transtorno de ansiedade.

Suas principais vantagens são: para insônia, quando é preferido evitar o uso de agentes causadores de dependência; como adjunto para o tratamento de ansiedade e insônia residuais com outros antidepressivos prévios; em pessoas vivendo com HIV (PVHA) deprimidos com ansiedade; preocupados com efeitos colaterais sexuais ou ganho de peso.

Suas principais desvantagens são: PVHA com fadiga, hipersonia; intolerantes aos efeitos sedativos.

Tem como principais sintomas-alvo: depressão; ansiedade; e distúrbios do sono.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: náusea, vômitos, edema, visão turva, constipação, boca seca, tontura, sedação, fadiga, cefaleia, incoordenação, tremor, hipotensão e síncope.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Depressão como monoterapia: dose inicial de 150 mg/dia em doses divididas; pode ser aumentada a cada 3 a 4 dias em 50 mg/dia conforme necessário; máximo de 400 mg/dia (ambulatorial) ou 600 mg/dia (internação); dividir em 2 doses diárias.
  • Insônia: dose inicial de 25 a 50 mg na hora de dormir; aumentar conforme tolerado, geralmente até 50 a 100 mg/dia, mas alguns pacientes podem precisar de dose antidepressiva plena dentro da variação da dosagem.
  • Potencialização de outros antidepressivos no tratamento de depressão: dose conforme recomendado para insônia.
  • Liberação prolongada: dose inicial de 150 mg uma vez por dia; pode ser aumentada em 75 mg/dia a cada 3 dias; dose máxima geralmente de 375 mg/dia.
  • É prudente reduzir a dose de modo gradual para evitar efeitos de retirada.

Venlafaxina

A venlafaxina (Effexor®) é um inibidor da recaptação de serotonina e norepinefrina (IRSN). É comumente prescrita para transtorno depressivo; transtorno de ansiedade generalizada (TAG); transtorno de ansiedade social (fobia social); transtorno de pânico; transtorno de estresse pós-traumático (TEPT); transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) com depressão retardada; com depressão atípica; com ansiedade comórbida; com sintomas somáticos, fadiga e dor; que não respondem ou têm remissão em tratamento com ISRSs.

Suas principais desvantagens são: PVHA sensíveis a náusea; com hipertensão limítrofe ou descontrolada; com doença cardíaca.

Tem como principais sintomas-alvo: humor deprimido; energia, motivação e interesse; distúrbio do sono; ansiedade.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: cefaleia, nervosismo, insônia, sedação, náusea, diarreia, redução do apetite, disfunção sexual, astenia, sudorese.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Dose inicial: 37,5 mg 1 vez por dia (liberação prolongada) ou 25 a 50 mg divididos em 2 a 3 doses (liberação imediata) por 1 semana, se tolerado; em geral, aumentar a dose diária não mais rápido do que 75 mg a cada 4 dias até que seja atingida a eficácia desejada; dose máxima geralmente de 375 mg/dia.
  • Tipicamente tentar doses com incrementos de 75 mg por algumas semanas antes de incrementar mais 75 mg.
  • Muitos pacientes toleram redução de 50% da dose por 3 dias, depois outra redução de 50% por 3 dias, então descontinuação.

Zolpidem

O zolpidem (Stilnox®) é um modulador alostérico positivo de GABA (MAP-GABA). É comumente prescrito para tratamento de curto prazo de insônia (a indicação de liberação controlada não está restrita ao curto prazo); conforme necessário, para o tratamento de insônia quando o despertar no meio da noite é seguido de dificuldade para voltar a pegar no sono e ainda há pelo menos 4 horas restantes para dormir antes da hora em que se planeja acordar (Intermezzo).

Suas principais vantagens são: em pessoas vivendo com HIV (PVHA) que requerem tratamento de longo prazo, especialmente a formulação CR.

Suas principais desvantagens são: custo maior do que alguns outros hipnóticos sedativos.

Tem como principais sintomas-alvo: tempo para início do sono, tempo total de sono e despertares durante a noite.

Seus efeitos colaterais mais notáveis são: sedação, tontura, ataxia, amnésia dose-dependente, hiperexcitabilidade, nervosismo, diarreia, náusea, cefaleia.

Não interagem com os antirretrovirais.

Como usar:

  • Homens: 10 mg na hora de dormir por 7 a 10 dias (liberação imediata); 12,5 mg na hora de dormir por 7 a 10 dias (liberação controlada); 3,5 mg sublingual no meio da noite se restarem mais de 4 horas de sono (Intermezzo).
  • Mulheres: 5 mg na hora de dormir por 7 a 10 dias (liberação imediata); 6,25 mg na hora de dormir por 7 a 10 dias (liberação controlada); 1,75 mg sublingual no meio da noite se restarem mais de 4 horas de sono (Intermezzo).
  • A formulação Intermezzo é administrada por via sublingual no meio da noite; deve ser colocada sob a língua, deixando-se que dissolva completamente antes de engolir
  • A formulação Intermezzo não deve ser tomada mais de 1 vez por noite.
  • Se for tomado por mais de algumas semanas, reduzir a dose gradualmente para diminuir as chances de efeitos de abstinência.

Médico Infectologista

CRMPR 32.357

RQE 23.586

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