ARTIGOS

O que eu diria para uma pessoa vivendo com HIV/AIDS recém diagnosticada

Por Dr. Richard Portier

em 08 de abril de 2026.

Em junho de 2020, quando eu estava criando o meu site, me deparei, no site do departamento de HIV/AIDS do Canadá, com um artigo intitulado: “Sua melhor amiga (ou amigo) foi diagnosticada (o) com HIV: o que você gostaria que ela (e) soubesse?”.

Essa foi a pergunta feita a uma mulher de 36 anos, diagnosticada com HIV em 2014. Leia abaixo a resposta:

“Primeiro, eu agradeceria a confiança depositada em mim. Eu gostaria que ela soubesse que o diagnóstico do HIV não mudaria nada entre nós. Eu ainda a amaria e a respeitaria.

Eu gostaria que ela soubesse que quaisquer emoções que esteja sentindo — choque, raiva, tristeza, vergonha — são naturais e apenas temporárias. Elas vão passar. Foi o que aconteceu comigo e com a maioria das pessoas com quem converso depois de serem diagnosticadas. Com o tempo, você aceita o seu diagnóstico.

Quanto mais você aprender sobre como viver com o vírus, menos ansiosa ficará. Quando fui diagnosticada, não sabia muito sobre o HIV e pensei que morreria rapidamente. Eu tive muitas perguntas sem resposta.

Eu também gostaria que ela soubesse que ser diagnosticada hoje não é como era há 30 anos. Grandes avanços foram feitos no tratamento. Hoje, uma pessoa vivendo com HIV pode ter uma expectativa de vida igual à de qualquer outra pessoa.

Eu a aconselharia a iniciar o tratamento o mais rápido possível. Quanto mais cedo você começar, melhor será a sua saúde. Mas você nunca deve interrompê-lo — deve tomar seus antirretrovirais diariamente, conforme prescrito pelo seu médico. Se você aderir ao tratamento e tiver uma carga viral indetectável, não transmitirá o HIV para outras pessoas.

Vai ser desafiador, porque tomar os antirretrovirais é um lembrete diário de que você vive com o HIV, mas, a longo prazo, será melhor para você. É como ter uma doença crônica, que você administra tomando seus medicamentos. Com o tempo, isso se tornará rotina. E você pode viver uma vida longa, saudável e gratificante.

Eu aprendi que contrair o HIV não significa que fiz algo errado. Não tenho mais vergonha, apesar de optar por manter o diagnóstico em sigilo por causa do preconceito e do estigma. Não estou mais com raiva ou triste, pois sei que posso ter uma vida normal. Eu percebi que qualquer pessoa pode contrair o HIV, independentemente de gênero, etnia, religião, ou se é rica ou pobre.

Tire um tempo para respirar, pensar e se informar. Cabe a você decidir para quem deve contar. As pessoas podem reagir de maneiras diferentes. Contar para alguém não é fácil.

Encontre algo que a ajude a relaxar e a liberar o estresse e a ansiedade — meditação, oração, exercícios, ouvir música, receber uma massagem — e faça-o. É importante cuidar bem de si mesma. Eu gostaria de ter tido alguém para me dizer essas coisas quando fui diagnosticada.

Finalmente, eu falaria a ela sobre como estou hoje: sou casada com um homem HIV-negativo, trabalho e estou prestes a ter um filho. O HIV não me impediu. Eu queria uma família e é isso que estou construindo. Hoje em dia, você não precisa ficar doente. Você pode fazer sexo, pode trabalhar, pode se casar, pode ter filhos. Você pode ter tudo isso.”

Infelizmente, não tenho mais o link desta carta. Porém, ela sintetiza tudo o que vejo no meu dia a dia atendendo pessoas vivendo com HIV. Acredite em mim: você pode ter uma vida plena, saudável e produtiva.

Médico Infectologista

CRMPR 32.357

RQE 23.586

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