ARTIGO

Dolutegravir vs Efavirenz: qual se saiu melhor?

Por Dr. Richard Portier

em 02 de maio de 2020.

O estudo SINGLE, foi um estudo multinacional de fase 3 que comparou a segurança e eficácia do dolutegravir 50mg uma vez ao dia mais abacavir/lamivudina versus efavirenz/tenofovir/emtricitabina.

Neste estudo participaram 833 pessoas “virgens” de tratamento (ou seja, nunca tinha usado medicamentos contra o HIV). Elas foram alocados aleatoriamente (na proporção de 1:1) para receber um dos dois esquemas. A maioria (84%) era do sexo masculino, cerca de dois terços eram brancos e a idade média era de 35 anos. No início, a carga viral mediana era de aproximadamente 50.000 cópias/mL (com 32% tendo mais de 100.000 cópias/mL) e a mediana de linfócito CD4 foi de 337 células/mm3 (com 14% abaixo de 200 células/mm3).

Após 48 semanas de tratamento, 88 % das pessoas que receberam o esquema com dolutegravir atingiram carga viral abaixo de 50 cópia/mL, ou seja, indetectável, em comparação aos 81 % do grupo que recebeu o efavirenz.

Embora o estudo tenha sido projetado para mostrar não inferioridade (ou seja, no mínimo, o dolutegravir ser semelhante ao efavirenz), a análise estatística mostrou o dolutegravir realmente teve um desempenho significativamente melhor o efavirenz (p = 0,003).

A resposta de ambos foi semelhante para pessoas com cargas virais basais acima e abaixo de 100.000 cópias/mL e para pessoas com contagens de CD4 acima ou abaixo de 200 células/mm3.

O dolutegravir alcançou a carga viral indetectável mais rapidamente que o efavirenz (28 vs 84 dias, respectivamente) e foi associado a um ganho significativamente maior nas células CD4 (267 vs 208 células/mm3, respectivamente), mas a relevância prática desses achados não foi clara.

Em cada grupo, 4% dos participantes experimentam falha virológica definida pelo protocolo e 3% descontinuaram o estudo por esse motivo. Ninguém no grupo do dolutegravir desenvolveu mutações de resistência aos medicamentos, mas uma pessoa do grupo do efavirenz desenvolveu mutação contra os inibidores da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo (ITRN) e quatro pessoas desenvolveram mutação contra os inibidores da transcriptase reversa não-análogo de nucleosídeo (ITRNN).

Mas o grande sucesso do dolutegravir foi em grande parte impulsionado por sua melhor tolerabilidade, pois as pessoas que tomaram o efavirenz foram mais propensos a abandonar o tratamento prematuramente devido aos efeitos colaterais ou morte.

Apenas 2% dos participantes do grupo dolutegravir interromperam o tratamento precocemente devido aos efeitos colaterais, em comparação com 10 % no grupo efavirenz. Isso ocorreu principalmente devido a sintomas psiquiátricos (<1 vs 4%, respectivamente) e sintomas do sistema nervoso (0 vs 3%, respectivamente) associados ao efavirenz.

Os sintomas gastrointestinais foram o efeito colateral mais comum no grupo dolutegravir, mas a frequência foi a mesma nos dois esquemas (22%). A insônia foi o único efeito colateral observado com mais frequência com o dolutegravir (15 vs 10 %). Houve duas mortes no grupo efavirenz, nas nenhuma foi considerada relacionada ao medicamento.

Conclusão: o dolutegravir foi altamente eficaz e melhor tolerado por 48 semanas, comparado ao efavirenz.

Por essa melhor tolerabilidade, o Brasil trocou o esquema inicial de tratamento da pessoa que vive com o HIV. Após muitos anos como carro-chefe, em 2017, o esquema efavirenz/tenofovir/lamivudina foi trocado para dolutegravir + tenofovir/lamivudina.

Se você ainda utiliza o efavirenz, e apresenta efeitos colaterais como “sonho vivo”, sensação de ressaca e sintomas de depressão, converse com o seu médico na próxima consulta para uma eventual troca. Não sofra por causa de efeitos colaterais – hoje existem vários opções para o tratamento.

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Evite a AIDS e suas complicações.

Médico Infectologista

CRMPR 32.357

RQE 23.586

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